Sentimento Crônico

Cheio de prosa! Poesia, vide verso!

Textos


Delação premiada (Crônica da série “temas atuais”)


               Tenho lido e ouvido muitos absurdos a respeito do instituto da “Delação premiada”, dando especial destaque às sandices dita pela Presidente Dilma – o que é costumeiro, no caso dela.

               Ora, a ilustre primeira mandatária da nação comparou a “delação premiada” às informações extraídas por torturadores na época do regime de exceção no Brasil.   Por Deus do céu, uma bobagem dessa não deveria ser dita nem sob tortura!

               Um insigne Ministro do STF ainda vem a público para afirmar que delações necessitam ser espontâneas, como se não fosse óbvio que espontaneidade é algo fora de cogitação para quem está atrás das grades procurando livrar a própria cara.  Isso tem a ver com interesse e conveniência e não com crise de consciência.

               Com efeito, a legislação é clara e objetiva quando deixa registrado que a delação, em si, não constitui prova, mas sim, indício a ser investigado e, em caso de existirem provas objetivas que confirmem o relato do alcaguete, então a dita delação terá, sim, sido proveitosa.

               O que cabe observar na enxurrada de delações que de repente assolaram as investigações e processos criminais, é que elas dizem respeito a um único tema: corrupção!

               E assim, fulano, menciona beltrano que implica cicrano e por aí vai.  Todavia, todos eles, sem exceção, relatam atos da mesma natureza, praticados do mesmo modo, favorecendo as mesmas pessoas e tudo isso está passível de confirmação com o mero rastreamento do dinheiro.

               A essa altura, na verdade, já é inequívoco, público e notório que dinheiro público (indiretamente alocado na Petrobrás) foi utilizado para favorecer contratos com entes privados que, em contrapartida, devolveram parte desses montantes como doações a políticos e partidos ou pagamento de “assessorias, consultorias ou serviços” que nunca existiram.

               Provas existem aos montes e os envolvidos e favorecidos nesse festim criminoso com o dinheiro público já são conhecidos de todos.

               Falta punir os principais culpados!  No caso, nossa atual Presidente e seu antecessor, que tinham e têm ingerência sobre da Petrobrás, que foram e ainda são chefes e correligionários de diversos políticos envolvidos e que, por fim, pertencem ao Partido dos Trabalhadores (instituição corruptora mor deste país).

               Por enquanto a “delação premiada” só atingiu os agentes e intermediários, mas falta alcançar os verdadeiros beneficiários dessa maracutaia generalizada.

               Só fico aqui pensando que tipo de indício falta para que se iniciem as investigações no BNDES, na Caixa Econômica Federal, no Banco do Brasil e outras instituições comandadas pelo poder executivo central.  Sem a menor sombra de dúvida, “o buraco é mais embaixo”!
             
                                         .oOo.
Obed de Faria Junior
Enviado por Obed de Faria Junior em 02/07/2015
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