Sentimento Crônico

Cheio de prosa! Poesia, vide verso!

Áudios

Bodes que tocam violino
Data: 17/12/2010
Créditos:
"Bodes que tocam violino"; de Obed de Faria Junior.
Gravação, edição e locução do próprio autor.
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (você deve citar a autoria de Obed de Faria Jr e o site: obed.zip.net). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.


       Bodes que tocam violino
 

          Há uma cena no filme “Um lugar chamado Notting Hill” em que os protagonistas principais, Anna e William, interpretados por Julia Roberts e Hugh Grant, contemplando uma gravura com a reprodução de um quadro de Marc Chagall – La Mariée – desenvolvem o seguinte diálogo:

     – Você gosta de Chagall? – pergunta William.

     – Sim. – responde Anna – Se parece com como estar amando deve ser. Flutuando em um céu azul escuro.

     – Com um bode tocando violino... – emenda William, fazendo graça com um dos detalhes surrealistas da tela.

     – Sim. – retruca novamente Anna – Felicidade não é felicidade sem um bode que toca violino!

          Na verdade não é a única referência ao surrealismo que existe naquele filme. Em pelo menos outras duas cenas, cada um dos dois enamorados também qualifica sua inusitada e aparentemente impossível relação como sendo algo surreal.


          Pois bem! Isto aqui não é uma resenha ou crítica cinematográfica. O tal do filme é uma comédia romântica que caiu no gosto popular com tamanho sucesso que é reprisado ao menos umas quatrocentas e oitenta e oito vezes ao ano, em diversos canais na tevê a cabo – e algumas mais, na tevê aberta.


          O que importa é que toda relação amorosa é surreal para quem a vive. Todas elas têm algo de inusitado, de impossível e de onírico sob o ponto de vista dos amantes, que se sentem flutuando em céu azul. 


          A perplexidade alheia, como não consegue absorver o que há de belo e surreal entre duas pessoas que se gostam – por inadequado que isso possa parecer – desvia sua própria incompreensão anotando e destacando o que há de bizarro. Ou seja, só para quem está de fora e de longe é que ressaltam, sempre, os bodes tocando violino.


          Infeliz de quem liga para o que os outros pensam!


                                                  .oOo.                             
Enviado por Obed de Faria Junior em 17/12/2010

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